Fatos e Desejos
Sou o filho mais velho de um casal da classe média, minha mãe nascida na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, meu pai na Mouraria, em Salvador.
Ambos esclarecidos, lidos, estudados, educados, desejaram para sua prole o melhor, dentro das suas possibilidades, mesmo oriundos de famílias menos competentes, economicamente falando, face ao número de irmãos e as atividades que seus pais (meus avós) exerceram, com muita dignidade.
Mas, nesta época, possuir renda, ou bens, não eram os principais desejos dos nossos familiares.
Em abril de 1957, aos 21 dias do mês de abril, Lua Cheia, nasci e iniciei a trajetória de muitas vitórias, várias derrotas e muita experiência, maturidade e reflexão.
Estudei em escolas particulares, prestei vestibular uma vez e fui aprovado nas duas Universidades, optando pela pública, UFBA.
Enquanto secundarista, na década de 1970, padeci com o desaparecimento de um dos irmãos da minha mãe, Mário Alves, poliglota, sério, inteligente, brilhante defensor da sociedade reprimida.
Sofri muito com a notícia do seu sequestro, pois imaginava que poderia encontrar com ele desmemoriado, pedinte, nas sarjetas das cidades que visitei, entre meus 14 e 18 anos, quando admitiram que ele teria sido assassinado pela ditadura.
Sofri muito com a notícia do seu sequestro, pois imaginava que poderia encontrar com ele desmemoriado, pedinte, nas sarjetas das cidades que visitei, entre meus 14 e 18 anos, quando admitiram que ele teria sido assassinado pela ditadura.
Comecei a trabalhar, por opção desde os 16 anos, o que dei sequencia enquanto cursava a Faculdade de Direito, estagiando no escritório do meu pai, até lograr a formatura.
Tornei-me instrutor de jovens estudantes universitários, pelo conhecimento e experiência prática acumulada, devolvendo informações e conhecimento científico e técnico adquirido na Universidade Pública, no Serviço de Assistência Judiciária da Faculdade de Direito da UFBa, ao passo que trabalhava como advogado numa indústria do Pólo Petroquímico de Camaçari, onde iniciei o aprendizado sobre o ambiente e objetivos das grandes corporações.
Nunca defendi falcatruas, prática de golpes, insubordinações, crimes de qualquer espécie, sempre pautando a minha conduta nos mais sérios exemplos de vida, respeito a hierarquia, às crianças e idosos, observados em minha volta, família e amigos.
Trabalhei no serviço público, em duas oportunidades, sendo a primeira para desenvolver a qualidade de atendimento em uma autarquia estadual, num governo do PFL, no final da década de 90 e outra, em meado da década de 2000, no governo de um município da região metropolitana de Salvador, em governo do PT.
Migrei de um lado para o outro, por ter sido perseguido e maltratado, pelo fato de ser cunhado de um candidato à prefeitura de Salvador, candidato pelo PT, enquanto servia ao governo do PFL.
Embora a minha formação sugerisse o maior respeito pelos mais necessitados, pelos carentes de saúde, educação e segurança, estes valores eu não encontrava no cenário em que convivi.
Presenciei a valorização das tarefas prestadas para os famosos, ricos e poderosos, sempre muito festejados e recomendados pelos capatazes das autoridades partidárias.
Na segunda experiência, diferentemente da primeira, mais maduro e menos suscetível a críticas e vaidades, experimentei as atividades voltadas para as comunidades mais carentes, respeitando e promovendo medidas de inclusão e proteção aos fragilizados socialmente, trabalhando com equipes menos preparadas em formação acadêmica, e em contra-partida, mais focados no bem estar das minorias.
Não preciso dizer que a minha segunda experiência foi mais prazerosa, embora mais curta.
É que a oposição resolveu atacar o meu parente político, acusando-o de ser responsável por minha colocação profissional, como se esta fosse ilegal, o que não era... enfim.
Passei a defender o governo operário, a cidadania, e a democracia, dando ênfase aos valores humanos, ao respeito, à ética e ao meio-ambiente, o que não é fácil.
Ontem, 16 de agosto de 2015, foi uma data escolhida pela oposição ao Governo da Presidente Dilma, para realizar protestos, visando o seu impedimento, a sua deposição, fato indesejado por mim e a maior parte do povo brasileiro.
Estamos em verdadeira turbulência política, alimentada pela mídia abastecida pelos seus patrocinadores e clientes, quase todos da oposição ao Governo Operário, momento em que as falcatruas, manobras e atividades irregulares, do passado e do presente, estão sendo expostas com o único objetivo de guindar ao Governo os representantes do Poder Econômico.
Não tenho dúvidas que os meus valores são importantes, são justos e merecem respeito. Mas tenho dúvidas sobre se todos os membros do governo operário trilham suas vidas com honestidade e ética, como eu o faço!
Os fatos que são divulgados pela mídia fomentada pelo poder econômico são muitas vezes falsos, ou possuem conotações que remetem ao meu descrédito.
Por outro lado, o Poder Judiciário, eivado de vícios, tão contaminado quanto o Executivo e Legislativo, perpetra absurdos, ao "condenar" acusados com prisões e escárnios midiáticos, apreciando e comentando fatos de forma seletiva e intencionalmente partidarizada.
Vários fatos considerados crimes e absurdos deixam de ter o mesmo tratamento de urgência e importância caso não contenham acusados dos partidos da base aliada ao governo.
Como posso concordar com esta imparcialidade?
Como fechar os olhos para estas injustas atitudes, condutas reprováveis, anti-éticas quando não ilegais?
Assim, mantenho a minha postura de somente debater as acusações, após as provas judiciais, após os julgamentos, mesmo entendendo que muitos fatos estão sendo interpretados pela ótica político-ideológica, em lugar da observação jurídica.
Por tal motivo sou pressionado pelos meus pares, os que desistiram por frustrações decorrentes da conduta noticiada pela mídia, denúncias contra os que defendem as práticas protecionistas dos favelados, os protetores dos negros, os defensores dos pobres, para que desista de defender o governo operário, tentando convencer-me de que a economia definha por incompetência do grupo político que gere o país, com o que discordo.
É que somos produtores de matéria-prima, não possuímos muitas indústrias, salvo um parque automotivo que inunda nossas cidades despreparadas para tantos veículos particulares, país que ainda considera ter um "carro" uma distintivo de prosperidade social.
Somos verdadeiros exportadores de água, produto inserido em grande parte de nossos produtos de exportação, faltando-nos os componentes de alto valor agregado, a tecnologia, o que nos destacaria no mercado internacional, ganhando mais em menos área de produção, com menos degradação ambiental e social!
É que somos produtores de matéria-prima, não possuímos muitas indústrias, salvo um parque automotivo que inunda nossas cidades despreparadas para tantos veículos particulares, país que ainda considera ter um "carro" uma distintivo de prosperidade social.
Somos verdadeiros exportadores de água, produto inserido em grande parte de nossos produtos de exportação, faltando-nos os componentes de alto valor agregado, a tecnologia, o que nos destacaria no mercado internacional, ganhando mais em menos área de produção, com menos degradação ambiental e social!
Esquecidas são as ações como o Mais Médicos, interiorizando o atendimento médico da saúde da família, ou o projeto Minha Casa Minha Vida, que deu teto a milhões de famílias, ou ainda o Pronatec, Prouni, garantindo cursos técnicos e universitários, além de milhões de empregos para os jovens, as obras estruturantes, a Copa do Mundo com sua obras de reestruturação das capitais sede, a Bolsa Família que retirou milhões da pobreza e enviou milhões de crianças para a escola, e todas as demais ações dirigidas para as classes sociais mais baixas, foco da atividade gerencial do governo federal, nos últimos 13 anos!
Embora deseje que o meu país tenha um futuro mais justo, com uma menor distância entre as classes sociais, propiciada pela inclusão social, que sejam reduzidas as distâncias entre os salários dos homens e mulheres, reduzindo o machismo, minimizando a diferença entre as remunerações dos negros e dos brancos, reduzindo o impacto do crime de intolerância racial, ou social, que sejam perpetradas políticas de reparação dessas minorias prejudicadas pelos longos anos de pressão e de intolerância, as vezes sinto que não terei paz.
Tudo isto sem falar nos aspectos da inexistência da sustentabilidade, como necessária meta concreta para as classes políticas e administrativas, visando corrigir as injustiças causadas aos setores mais pobres, minorias étnicas, comunidades pouco organizadas, vítimas da falta de Justiça Ambiental. É que somente estas minorias sofrem com as grandes obras, grandes contaminações, descasos com os rios, lagos, cursos d´água, pois o poder econômico os transformam em presas fáceis.
O capital marcha de forma acelerada e determinada contra as manchas florestais lindeiras a comunidades pobres, vez que a repercussão social negativa será minimizada, pelo fato de se acreditar numa provável higienização da área, com a chegada de produtos mais caros, sempre em detrimento dos interesses dos mais pobres e menos organizados politicamente.
Assolada por projetos de urbanização, míngua a Mata Atlântica, desaparece a Selva Amazônica, rios são assoreados, contaminados e desertificados, tudo por conta da visão desequilibrada de metas de desenvolvimento equivocado!
Sentir, desejar e constatar está causando a frustração com o futuro, com os posicionamentos dos nossos pares, pela inadvertida conduta de nossas autoridades, pela falta de humanidade, de irmandade, de generosidade dos nossos conhecidos, em cujas "selfies" os sorrisos de felicidade escondem verdadeiras impossibilidades de realização, enquanto seres humanos, topo da cadeia biológica.
Mas, escrever este texto serviu apenas como aquecimento da minha esperança.
É que quero um país melhor...
Não quero impedimento da Presidente, nem sucessão presidencial antes de 2018.
Desejo que pessoas menos egocêntricas atuem para melhorar nosso mundo, com menor consumismo, maior amor entre as pessoas, maior respeito e melhor relacionamento entre as comunidades.
Assim, me sinto energizado para continuar com uma postura menos elitista, mais generosa e mais humana!
Caio Mário Vieira Marques
17 de agosto de 2015
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