sábado, 14 de maio de 2016


EXAURIDOS OS ARGUMENTOS

Sou testemunha viva do crescimento econômico desordenado do meu País, e de suas consequências, como desmatamentos, degradações dos rios, adensamento populacional, falta de estrutura, escassez de empregos, má distribuição de renda, falta de habitações, inaptidão político-econômica para implantar escolas, hospitais, creches, reduzir as distâncias entre as comunidades ricas e as minorias,etc, falta de amor sincero, pela pátria.

Presenciei a evolução política do país, a chegada da Democracia e suas repercussões internas e externas, esquecendo a Ditadura e gozando com o movimento das “Diretas Já”, marco zero dos debates e discussões sobre o direito das minorias.

Acompanhei o impedimento de Collor, forçado pelos partidos de oposição, mas percebi alguns benefícios decorrentes do governo deposto, notadamente pela abertura das fronteiras, permitindo a globalização e a invasão do mercado interno com produtos de tecnologia, e posteriormente pelas atitudes praticadas pelo seu sucessor, Itamar Franco, recuperando a economia.

Vibrei com as vitórias operárias nas urnas, nestes últimos 13 anos. 

Em todas as metrópoles algo foi conquistado em benefício do trabalhador, dos sem teto, melhorando a distribuição de renda e dando acesso aos negros, índios, pobres, enfim, aos serviços e benefícios que o país estava produzindo, inclusive escolas, faculdades, atendimento médico, alimentos, através das bolsas ou dos programas de inclusão, retirando os menores das ruas, bares e semáforos, inundando de minorias os aeroportos, escolas, lojas, parques, shoppings, shows, etc.

Gostei de participar dos avanços de inclusão das minorias, aumento de residências próprias financiadas e subsidiadas, aumento histórico do número de empregos, ampliação de vagas nas escolas e faculdades, das cotas para as minorias, da construção e reforma de hospitais, escolas, creches, obras de infra-estrutura, estádios, estradas, ferrovias, barragens, e dos conselhos comunitários, onde os debates são mantidos e incentivados, colocando as comunidades dos excluídos em posição de atuação mínima, esta "cultura' de diálogo oriunda dos movimentos dos trabalhadores. 

Muitos de nós reclamaram das ruas cheias de veículos, aeroportos e aviões lotados de novos passageiros, destruindo o glamour, reduzindo privacidade e espaço,  antigos usuários tendo que compartilhar  e dividir os momentos de felicidade com os novos "abastados".

As conquistas do povo foram muitas e tantas, nesta última década, que a reeleição de Dilma não foi aceita. 

Por falha de informação, por culpa ou dolo, as promessas de campanha não tiveram espaço para concretização, por sabotagem ou impossibilidade inata, fragilizando e sangrando o governo.

Pediram recontagem, tentaram anular o pleito e por fim, exauriram a economia, pararam o Brasil para impedir Dilma de prosseguir.
O momento é de mudanças perigosas, pois o que move esta alteração de rumo é a falta de argumentos verdadeiros.

A vida tem que avançar, contudo.

Hoje testemunho o ápice de manobra político-jurídica, mal montada, revelando interesses claros de usurpação de poder, pela oposição e parte dos aliados, em revanche ao resultado das eleições, manobra contrária à intransigência e firmeza de posturas de Dilma, algumas desastrosas é verdade.

Sofro em perceber as traições, a injustiça, o conluio envolvendo descontentes úteis, os quais apedrejam o governo com as mesmas mãos sujas que elegeram e guindaram desonestos e falsos moralistas, todas estas atividades em nome de seletivo combate à corrupção.

Ouço os gritos de resistência, mas reflito sobre a necessidade de unirmos melhor nossas energias para praticarmos condutas inclusivas, combatermos tais erros com educação, ciência e reflexão, denunciarmos as fraudes, elegermos melhores representantes em todas as esferas, e fazermos o Brasil retomar seu caminho, avançando e melhorando as oportunidades de emprego, aumentando a distribuição de renda, reduzindo as nossas falhas e erros através do diálogo, tudo em nome da sustentabilidade nacional.

Estes "avanços" tenderão a atrasar nossa trajetória inclusiva, dada a pressão dos incautos que promoveram a revanche, vez que as suas motivações são completamente opostas às que norteiam a conduta dos representantes do povo, no governo afastado.

A visão dos que chegam agora não privilegia o interesse dos mais fracos, das minorias, dos sem teto, sem saúde, sem futuro. Pelo contrário!
Estas minorias declararão, em momento próximo, o quanto o país perdeu com esta desleal manobra pelo poder!

Temo pelo patrimônio ambiental, pelas conquistas das minorias, pela recrudescimento da violência, pela revolta dos silenciosos.
É que a pobreza, o desemprego, a miséria, a falta de saneamento, a falta de saúde, a inexistência de oportunidades para as minorias, o abandono dos incapazes, não afeta, não atinge, não incomoda, não motiva providências pelos representantes do capital. Para estes, somente importa o lucro!

Vamos andar para frente!

Com amor, serenidade e incluindo os mais necessitados, observando o movimento ardiloso do capital, que em tudo manda, haveremos de reconquistar uma paz e união social, pela maturidade que há de ser celebrada.

A sensação é de que voltaremos alguns séculos, para retomarmos um ponto perdido no passado (ponto de restauração)...se assim quer a sociedade, assim será...

Relembro a frase de Auguste Comte, resumindo o Positivismo:
"O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”

Lauro de Freitas,13 de maio de 2016
Caio Mário Vieira Marques