Há muito tempo que não me deixo seduzir por uma estravagante demora para levantar, curtindo a manhã do feriado e do sono, sem me deixar impressionar pelo relógio.
Normalmente não passo das 9hs, pois tenho a impressão de que estou perdendo tempo... estou deixando as oportunidades passarem... chances e oportunidades de flashs de felicidade se esvairão nos minutos que exagerei na cama!
Hoje, nem lembrei dessas minhas recorrentes e falsas impressões. Acordei no horário normal, mas me deixei vencer pela preguiça, sonhei, e despertei várias vezes.
Ouvindo os pingos de chuva no telhado, entre notas isoladas dos poucos cantos dos pássaros, percebi que elogiavam a irrigação natural das árvores responsáveis pela produção dos seus alimentos.
Enquanto eu estava deitado confortavelmente ouvia a movimentação da casa, o bater desordenado das portas açoitadas pelo vento, o cheiro da chuva sobre a terra, o perfume das plantas umidificadas pelas chuvas de primavera.
A orquestra da vida em plena evolução, e eu... ainda que deitado, na preguiça, em nada interferi neste movimento espetacular em que o mundo está envolto a milhões de anos.
Nada fiz, nada impedi que fosse feito, não dei ordens, nem as recebi, nada cumpri ou deixei de cumprir e nem por isto o mundo parou, a chuva cessou, os pássaros deixaram de cantar, as plantas deixaram de crescer e de beber a chuva penetrante no seio da terra.
Não deixei de ser mais feliz... aliás que sensação de felicidade esta de poder perceber tudo isto!
E a vida continua!
Espaço para minhas reflexões, contestações e declarações. Constatada a importância de escrever, resolvi publicar algumas notas sobre o mundo que enxergo em volta de 359 gráus.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Construção destrutiva
Depois de muitos anos defendendo as ações antrópicas, por pura ignorância decorrente da sanha industrial, percebi que tudo que o Homem e a Mulher fazem, utilizando a criatividade, para obter vantagens, na velocidade das reações químicas, e nas misturas biológicas só atrasaram a recuperação natural.
É que a Mãe Natureza precisa de um prazo natural para recompor as ações antrópicas - ditas ações humanas, normalmente prejudiciais à natureza!
Assim, é preciso que nossas escolas, nossos debates, nossas músicas, nossos pagodes, forneçam informações para que o nosso povo animal possa entender que é preciso ser natural, ainda que animal!
Os nossos exageros não podem ser direcionados e alimentados, senão por uma visão de futuro mantido na SUSTENTABILIDADE que significa, na mais ingênua forma de expressão, no equilíbrio das nossas ações!
A construção humana é destrutiva, é prejudicial!
Nós humanos, inteligentes, modificadores, cientes agora desta nossa indesejada e combatida interferência no ciclo natural, precisamos utilizar as nossas avançadas conquistas para desacelerar as nossas ações, gerando alimentos, derrubando menos florestas, modificando menos a natureza, para que esta possa ser melhorada por sua inegável condição de regeneração!
É que a Mãe Natureza precisa de um prazo natural para recompor as ações antrópicas - ditas ações humanas, normalmente prejudiciais à natureza!
Assim, é preciso que nossas escolas, nossos debates, nossas músicas, nossos pagodes, forneçam informações para que o nosso povo animal possa entender que é preciso ser natural, ainda que animal!
Os nossos exageros não podem ser direcionados e alimentados, senão por uma visão de futuro mantido na SUSTENTABILIDADE que significa, na mais ingênua forma de expressão, no equilíbrio das nossas ações!
A construção humana é destrutiva, é prejudicial!
Nós humanos, inteligentes, modificadores, cientes agora desta nossa indesejada e combatida interferência no ciclo natural, precisamos utilizar as nossas avançadas conquistas para desacelerar as nossas ações, gerando alimentos, derrubando menos florestas, modificando menos a natureza, para que esta possa ser melhorada por sua inegável condição de regeneração!
Desenvolvimento Sustentável
Participo da APA Joanes Ipitanga, Unidade de Conservação muito importante pois congrega as comunidades e calhas dos Rios Ipitanga e Joanes, seus afluentes, todos do Norte de Salvador, Lauro de Freitas, Simões Filho, Camaçari, dentre outros importantes municípios.
Ocorre que as APA´s, designam Conselhos Paritários, com 45 membros eleitos entre funcionários públicos, representando os governos municipais, estaduais e federais, a Sociedade Civil e as Empresas.
Estes conselhos devem orientar os órgãos ambientais, emitindo a opinião da sociedade a respeito dos empreendimentos que desejam receber as Licenças Ambientais.
Infelizmente, as APA´s não possuem os Planos de Manejo, documentos específicos para cada uma das Unidades de Conservação.
Assim, torna-se muito difícil o trabalho desses grupos. Desejosos de praticarem o melhor, utilizam das suas convicções, mas sentem a dificuldade da ausência do Standard.
Precisamos urgenciar a elaboração dos Planos de Manejo para tornar mais objetivo o trabalho dos seus abnegados membros!
Ocorre que as APA´s, designam Conselhos Paritários, com 45 membros eleitos entre funcionários públicos, representando os governos municipais, estaduais e federais, a Sociedade Civil e as Empresas.
Estes conselhos devem orientar os órgãos ambientais, emitindo a opinião da sociedade a respeito dos empreendimentos que desejam receber as Licenças Ambientais.
Infelizmente, as APA´s não possuem os Planos de Manejo, documentos específicos para cada uma das Unidades de Conservação.
Assim, torna-se muito difícil o trabalho desses grupos. Desejosos de praticarem o melhor, utilizam das suas convicções, mas sentem a dificuldade da ausência do Standard.
Precisamos urgenciar a elaboração dos Planos de Manejo para tornar mais objetivo o trabalho dos seus abnegados membros!
Feliz Imperfeição!
Uma equipe de trabalho, o time de futebol, a tripulação do veleiro de regata, a equipe de atletismo, o time de voleibol, a equipe de ciclismo, a equipe de corrida rústica, ou de corrida de aventuras, enfim, até a equipe de Fórmula 1, qualquer grupo de pessoas que pretendem alcançar o mesmo objetivo, por mais treinadas e unidas, dependerão da performance do mais lento, do imperfeito, do menos talentoso, do mais desmotivado, do instável, do menos focado, etc.
Sim, a equipe terá que resolver problemas internos, para que as “não conformidades” desapareçam e que os menos capacitados tenham, no dia da disputa – na empresa todo dia é dia de final – o seu dia de glória!
O mundo empresarial, neste terceiro milênio, tem adotado a inclusão profissional e as políticas de responsabilidade social e ambiental, como novos e importantes paradigmas, para destacar novos valores das organizações.
Eu fui treinado para ser melhor que os meus pares. Deveria lutar, jogar, ganhar, bater, vencer, brilhar, sem desrespeitar as regras, sem ferir os mais velhos.
Sou filho de pais conscientes, preparados, vencedores, que evitaram discriminar o próximo e ensinaram-me a não fazê-lo!
Fui forjado em escolas de lastro educacional religioso, nas quais o socialismo e a generosidade eram difundidos como virtudes, ainda que não as encontrasse em todos os seus membros dos corpos docentes e discentes.
Fui formado pela UFBA, sem solenidade, na Faculdade de Direito, com o projeto de exercer a função de advogado, atividade com a qual entendia poder praticar o socialismo cristão e a generosidade, garantindo uma vida digna e sem maiores dificuldades, por presenciar o sucesso e o bom relacionamento dos meus pais.
Nesta época o bacharel seguia para o Doutorado ou Mestrado, quando necessitava de tais distinções para ocupar funções normalmente voltadas para o ensino superior e a decorrente continuidade da pesquisa e da evolução científica profissional.
Fui bem preparado por todos os meus treinadores, desde a infância, em casa e nas escolas, culminando com o estágio profissional em um dos maiores escritórios de advocacia do norte e nordeste do Brasil.
Fui contratado por uma empresa do Pólo Petroquímico de Camaçari e passei a receber formação gerencial e administrativa, com informações em diversas áreas do conhecimento empresarial e científico notadamente da área jurídica, o que me destacava, entre os pares advogados.
Pela densa e completa formação de primeiro e segundo graus, não tive dificuldades na experiência profissional como assessor de vários gerentes e diretores, ao longo dos primeiros anos de exercício da advocacia empresarial, vez que a química, a física, a biologia eram minhas aliadas , facilitando o meu especial desempenho.
Experimentei viagens para reuniões em grandes estatais e órgãos da administração municipal, estadual e federal, as quais desconhecia, cujas agendas incompletas muitas vezes causavam embaraços, muitas vezes resolvidos pelo improviso e perspicácia inatos, características que me fizeram acreditar na superioridade profissional para qual fui arremessado, impulsionado por estas variáveis da minha até então curta jornada profissional.
Casei com a minha atual esposa e continuei vivendo a incorreta sensação de que tudo era resumido ao trabalho e ao sucesso profissional, compartilhando com a minha consorte as vantagens materiais do nosso trabalho, profissionais bem recomendados, o que ainda somos.
Nasceram os filhos e com estes a esperança de construção de outro roteiro semelhante, onde somente a conquista profissional seria capaz de conduzir todos à felicidade.
Ocorreu que a nossa filha, segunda gravidez saudável e desejada, ainda que antecipada – fazíamos planos para gerarmos outro filho alguns seis meses depois – após parto sem intercorrências, linda, sem qualquer deformidade ou característica que nos provocasse qualquer suspeita, apresentou um problema neurológico, aos quatro meses de vida.
O fato acima ocorreu há 24 anos!
Deste fato em diante passei a ter outras experiências e curiosidades que vieram a completar a minha formação profissional e que blindaram as características socialmente consideradas positivas, conferindo ao meu núcleo familiar a capacidade de interagir com várias outras adversidades.
Nossas famílias, pais e irmãos, contudo, não estavam preparadas para terem membros imperfeitos. Sim, nós não admitimos que esse problema neurológico não tivesse cura, ou que nossa filha fosse um ser sub-normal!
Não admitimos – todos das famílias - que a ciência não tivesse explicação e cura para o “absurdo e injusto” problema!
Fomos atraídos, por esta fragilidade, por vários grupos religiosos, que nos prometeram cura!
Fomos acusados de contribuir para o sofrimento de Fernanda, por falta de fé, por falta de doações ou contribuições materiais, como se tivéssemos que corromper ou contribuir para o Maestro da Existência.
Fizeram-nos crer, nos fizeram descrer, nos insultaram por crer, nos humilharam por descrer, como se tudo que passássemos fosse irrelevante a todos mais! E sobre a Fernanda, enquanto ser humano, o mundo pouco nos preparou para entender, para encaminhar ao futuro, pois para aquele mundo para o qual nós fomos treinados Fernanda não seria aceita ou teria acesso sem sérias restrições. Isto foi o que mais nos machucou.
Já seguimos 24 anos de experiência e treinamento com a “coordenação” de Fernanda.
Membro mais importante da equipe familiar, pois sobre ela repousam as mais variadas preocupações, é o centro das nossas atenções e com quem nos ocupamos sempre.
Ela “dita” a velocidade de tudo em que ela participa; o grau de complexidade das estruturas de apoio, os horários de acordar, de dormir, o leiaute da casa, a formação da mesa em uma refeição, as opções de cardápio, apenas como pequenos exemplos!
Mas a minha filha não é só a experiência frustrante, negativa, ou impositiva, pela característica indesejada por todos, a “não conformidade”da qual ela é portadora!
Ela representa a mais profunda reflexão sobre a perfeição das equipes. Ela inspira a mais sincera avaliação sobre o comportamento das pessoas e das suas inseguranças.
Ela forja, nos mais sábios, a certeza de que ser bom, não é ser diferente, nem ser igual, mas ser humano, generoso, amoroso, incompleto e interessante, pelas suas peculiaridades!
Por estar disposta a aprender todos os dias, por enfrentar desafios diários, para nós provas simples e fáceis, ela é uma medalhista olímpica semanal!
Assim, minha mestra demonstrou a verdadeira humildade, afirmando que desconhecer, ou não conseguir, são fatos diários e humanos! Para sermos felizes não precisamos acertar, nem nos destacar pela perfeição, mas pelo talento de ser humano!
Melhorei muito como pessoa, profissional e socialmente, pelo aprendizado imposto por Fernanda, a mais importante ocorrência das nossas vidas e reflito sobre estes assuntos, diariamente.
As equipes, todas, possuem pessoas que falharam, falharão, ou falham sempre!
Mas, tais equipes, não deixarão de ser equipes de seres humanos!
A nossa sociedade precisa perceber que os defeitos, ou não conformidades de produção industrial, ou de serviços, não devem ser punidos com o rigor que experimentamos, hoje!
Precisamos expor os erros à exaustão, demonstrando humildemente que são erros e acertos todas as obras humanas!
A felicidade verdadeiramente humilde, e a perfeição das equipes de trabalho, estarão no auto-reconhecimento dos membros quanto às suas humanas limitações!
Produzir números altos, recolher lucros, descobrir e inventar soluções, controlar a produção de qualidade, de nada adiantará, para a contemporânea humanidade, se não nos apercebermos inseguros, falhos, incompletos, passíveis de erros!
Caso não acolhamos os doentes, os psicopatas, os dependentes, todos merecedores de atenções especiais, condenaremos ao degredo os mais necessitados de nossa presença e de nossa contribuição, à nossa volta!
O esforço que os excluídos por nós fazem, fizeram ou farão, caso sejam conscientes, para serem aceitos por nós, bem como a absoluta inércia dos excluídos inconscientes, que nada fazem para serem aceitos, entendidos e ajudados, nos faz acreditar que em nós reside a responsabilidade individual e coletiva de tratar e melhorar as nossas tribos, clubes, cidades, famílias!
O mais importante treinamento e capacitação que as instituições necessitam difundir e aplicar, diz respeito a aumentar a capacidade dos seus membros em respeitar e entender as limitações de seus semelhantes, colegas de trabalho, familiares, amigos.
Aumentando esta capacidade entre os membros, aumentará a humildade e o entrosamento, o que permitirá que a competição interna abra espaço à cooperação, entre seus pares. Talvez não aumente tanto a produtividade, mas aumentará a felicidade!
Na melhor empresa, na melhor equipe, na melhor família, então restará comprovado que a felicidade e o sucesso estarão vinculados à inclusão absoluta dos imperfeitos!
Agradeço ao destino experimentar com a minha família a companhia e os ensinamentos que nossa filha Fernanda nos proporciona, fato que compartilhamos há muito com nossos amigos e que agora ampliamos para os leitores desse depoimento.
“A felicidade é o objetivo de qualquer atividade. O que pensamos, dizemos, fazemos, ou planejamos, não tem outro fim!”
Caio Mário Vieira Marques
*Advogado, Consultor de Empresas, Empresário, Diretor da UMA – Universidade da Mata Atlântica, Conselheiro da OSCIP Rio Limpo, Parceiro da TÜV Rheinland, natural de Salvador-BA, 53 anos, casado, Ex-Diretor da LIMPEC, Ex-Secretário Geral da JUCEB, Ex- Assessor Jurídico da Caraíba Metais, Ex- Membro da Coordenadoria Jurídica da FIEB, Ex- Membro das Comissões de Negociação Sindical Patronais Petroquímica e Metalúrgica do Estado da Bahia.
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